Escolha institucional
Por que usamos o nome ayahuasca
Ayahuasca é a denominação adotada pelo Santuário em seus documentos, páginas e comunicações. É também o termo empregado pela Resolução CONAD nº 1/2010, referência normativa para o uso religioso da bebida no Brasil.
Reconhecer outros nomes ajuda a compreender a amplitude histórica e cultural dessa medicina. Isso não torna todas as palavras perfeitamente intercambiáveis: cada povo, religião, território e comunidade pode relacionar um nome a modos próprios de preparo, rezo, transmissão e significado.
Grafias difundidas
Ayahuasca e ayawaska
Ayahuasca é a grafia mais difundida no português e em documentos brasileiros. Ayawaska aparece como forma alternativa ligada à transliteração de línguas andinas e amazônicas.
Em diferentes contextos, a palavra pode nomear a bebida sacramental, o campo de conhecimentos associado a ela ou a própria experiência religiosa. No Santuário, o termo identifica a medicina consagrada exclusivamente em contexto ritualístico e religioso.
Cipó e preparo
Caapi, kaapi e mariri
Caapi e kaapi são denominações encontradas em registros amazônicos e podem se referir ao cipó Banisteriopsis caapi ou à bebida preparada a partir dele, conforme o contexto. Mariri é outro nome amplamente utilizado para o cipó em comunidades e tradições brasileiras.
Por isso, uma busca por caapi pode estar procurando a planta, a bebida ou uma tradição específica. A leitura responsável depende sempre de identificar quem usa o termo e em qual território ou religião ele está inserido.
Noroeste amazônico
Yagé e yajé
Yagé e yajé são nomes associados sobretudo a contextos indígenas e mestiços do noroeste amazônico, especialmente em regiões da Colômbia e do Equador. As grafias variam entre idiomas e formas de registro.
O Santuário reconhece essas denominações como parte da diversidade cultural da ayahuasca, sem apresentar sua ritualística como reprodução das práticas próprias desses territórios.
Contextos brasileiros
Hoasca, oasca, uasca e vegetal
Hoasca, oasca e uasca aparecem como adaptações fonéticas e gráficas de ayahuasca. Vegetal é uma denominação conhecida em vertentes religiosas brasileiras e pode designar a bebida sacramental dentro de vocabulários próprios.
O Santuário não possui relação formal com a União do Vegetal ou com qualquer outra religião ayahuasqueira. A presença desses termos nesta página é exclusivamente informativa e respeita a autonomia institucional de cada tradição.
Memória ayahuasqueira brasileira
Daime, Alto Santo e Mestre Irineu
Daime é a denominação sacramental consagrada nas tradições que se desenvolveram a partir da trajetória de Mestre Raimundo Irineu Serra. Entre o fim de 2024 e o início de 2025, Bruno Luz e Michael Pereira visitaram o Alto Santo, em Rio Branco, e prestaram homenagem no túmulo de Mestre Irineu.
A orientação de não fotografar o Alto Santo foi integralmente respeitada. A visita compõe um percurso de conhecimento e reverência histórica; não estabelece filiação nem vínculo formal do Santuário com o Santo Daime ou com o Centro de Iluminação Cristã Luz Universal.

Povo Huni Kuin
Nixi pae, uni e outros nomes originários
Nixi pae e uni são denominações presentes em contextos do povo Huni Kuin. Outros povos amazônicos possuem palavras, narrativas e relações próprias com a medicina. Esses nomes não funcionam como simples palavras-chave desligadas de seus detentores e de seus territórios.
Ao mencioná-los, o Santuário reconhece a diversidade dos saberes e a necessidade de atribuição. Não afirma representar o povo Huni Kuin, não ensina sua ritualística e não reivindica autoridade sobre conhecimentos recebidos em contexto comunitário.
Aldeia Chico Curumim
Uma vivência direta, sem reivindicação de representação
Entre o final de 2024 e o início de 2025, Bruno Luz e Michael Pereira viajaram até a Aldeia Chico Curumim, no território Huni Kuin do Alto Rio Jordão, em Jordão, Acre, região amazônica próxima à fronteira com o Peru. Recebidos pela comunidade e pela cacica Tamani, participaram de uma vivência comunitária e do batismo Huni Kuin junto aos jovens da aldeia.
A experiência incluiu canto, dança, dieta e permanência na comunidade, conforme as orientações locais. Esse encontro possui valor biográfico e espiritual para os dirigentes, mas não concede ao Santuário linhagem, representação institucional ou autorização para reproduzir o batismo e outros ritos Huni Kuin.
Conforme o relato institucional dos dirigentes, a aldeia leva o nome de Chico Curumim, avô de Ibã Huni Kuin. Também segundo esse relato, Maru Huni Kuin, que aparece no registro musical aos pés da samaúma, é filho da cacica Tamani e neto de Ibã.


Memória, língua e cantos
Ibã Huni Kuin e a transmissão dos huni meka
Ibã Huni Kuin, também conhecido como Isaías Sales, é professor, pesquisador e txana, mestre dos cantos de seu povo. Sua trajetória reúne magistério indígena, pesquisa e transmissão de conhecimentos recebidos de seu pai, Tuin Huni Kuin.
Entre seus trabalhos está o registro e a valorização dos huni meka, cantos relacionados ao nixi pae, em língua hãtxa kuin. A menção a essa trajetória oferece contexto para a relação familiar relatada pelos dirigentes e reconhece a autoria Huni Kuin; não transfere ao Santuário autoridade sobre esses cantos ou conhecimentos.
Encontros no templo
Autoria originária e relações que continuam
O Santuário vem recebendo comitivas e visitantes de povos originários em encontros realizados no templo. Em 2025, recebeu integrantes Huni Kuin; em 2026, recebeu uma comitiva Yawanawá. Cada presença é acolhida como oportunidade de escuta, convivência e reconhecimento da autoria dos povos.
Em 2025, Siã Kaia, indígena Huni Kuin da Aldeia Chico Curumim, visitou o Santuário. Uma obra de sua autoria passou a integrar o espaço do templo como memória desse encontro. A exposição preserva o crédito do artista e não transforma a obra em símbolo de representação institucional do povo Huni Kuin.

Festival Indígena União dos Povos
Três dias de presença no FIUP 2025
Os dirigentes estiveram presentes durante três dias do FIUP 2025, em Arujá/SP. Segundo o registro institucional feito durante o encontro, o festival reuniu representantes de ao menos 17 etnias em apresentações, rodas de conversa e espaços de intercâmbio cultural.
Entre os momentos acompanhados esteve uma apresentação musical de Daiara Tukano e Makairy Fulni-ô. A participação dos dirigentes ocorreu como público e espaço de aprendizagem, sem vínculo de organização ou representação do festival e de seus participantes.
Identidade do Santuário
Ritualística própria e respeito às diferenças
O Santuário Céu de Aparecida é uma organização religiosa de xamanismo universalista com formação e ritualística próprias. Não possui relação formal com Santo Daime, União do Vegetal ou outra religião ayahuasqueira, embora reconheça sua importância histórica e religiosa.
Também não reproduz a ritualística dos povos originários. Elementos aprendidos em diferentes encontros são recebidos com gratidão e incorporados somente quando compatíveis com a identidade, a responsabilidade e os limites éticos do templo.
Nome institucional
Ayahuasca é o termo adotado nos documentos e nas comunicações do Santuário.
Diversidade cultural
Outras denominações são apresentadas com contexto, atribuição e respeito às suas origens.
Limite de representação
Vivência e contato não equivalem a filiação, autorização, linhagem ou representação institucional.
Informações essenciais
Ayahuasca, daime, yagé, nixi pae e uni são a mesma coisa?
Os termos podem designar bebidas relacionadas ao uso do cipó Banisteriopsis caapi, mas pertencem a contextos culturais, territoriais e religiosos distintos. Não devem ser tratados como sinônimos perfeitos sem considerar quem utiliza cada nome e com qual significado.
Qual nome o Santuário utiliza?
O Santuário utiliza institucionalmente o nome ayahuasca. As demais denominações aparecem em conteúdos informativos para reconhecer a diversidade cultural e facilitar a compreensão de quem pesquisa o tema.
A vivência Huni Kuin torna o Santuário representante desse povo?
Não. A vivência de Bruno Luz e Michael Pereira na Aldeia Chico Curumim é parte de sua trajetória pessoal e institucional, mas não estabelece representação, linhagem ou autorização para falar em nome do povo Huni Kuin ou reproduzir seus ritos.
O Santuário pertence ao Santo Daime ou à União do Vegetal?
Não. O Santuário possui formação e ritualística próprias e não mantém relação formal com essas religiões. Suas histórias são reconhecidas com respeito, sem reivindicação de filiação.
Elaborado e revisado pela direção do Santuário Céu de Aparecida · Atualizado em 3 de agosto de 2026.
Fontes e limites deste conteúdo
Fontes consultadas
- Resolução CONAD nº 1, de 25 de janeiro de 2010
- Governo do Acre: Alto Santo e a memória de Mestre Irineu
- Festival Indígena União dos Povos — FIUP
- Museu Goeldi: trajetória de Ibã Huni Kuin e do MAHKU
- IPHAN: Huni Meka — Cantos do Nixi Pae
- Governo do Acre: Aldeia Chico Curumim e Alto Rio Jordão
- Registros autorizados e relato institucional dos dirigentes Bruno Luz e Michael Pereira

