Nove princípios
Diretrizes do Santuário Céu de Aparecida
Não especialismo
Ninguém se coloca como dono do saber; o aprendizado é coletivo, contínuo e compartilhado.
Não intervenção
Respeitamos o processo espiritual, emocional e físico de cada pessoa, sem impor caminhos ou interpretações.
Respeito ao livre-arbítrio
Cada pessoa tem seu próprio tempo e pode fazer suas escolhas dentro dos limites de segurança da cerimônia.
Escuta silenciosa e presença
O silêncio, a escuta atenta e a presença consciente são formas de cuidado.
Cuidado com a palavra
A palavra é sagrada; não se impõem interpretações ou diagnósticos sobre a vivência alheia.
Humildade espiritual
Nem tudo precisa de uma resposta pronta. Reconhecemos o mistério de cada vivência e os limites do que podemos compreender.
Serviço e irmandade
Servir é um ato de amor, responsabilidade e cuidado com o coletivo.
Respeito às tradições originárias
Ética, gratidão e responsabilidade diante dos povos, saberes e raízes ancestrais.
Autonomia e autorresponsabilidade
Cada participante cuida do próprio corpo, de suas escolhas e de seu processo, contando com o apoio da equipe quando precisar.
Antes
Informação e avaliação prévia
- Preenchimento de ficha de anamnese por todos os participantes.
- Entrevista individual obrigatória para quem participa pela primeira vez no templo.
- Roda de conversa presencial para apresentação da ritualística e esclarecimento de dúvidas.
- Avaliação cautelosa de condições de saúde, vulnerabilidades, medicamentos e informações relevantes.
- Possibilidade de adiamento ou não confirmação quando os critérios de segurança não forem atendidos.
Durante
Equipe, limite de pessoas e organização do espaço
O templo recebe um número limitado de participantes e conta com uma equipe de aproximadamente quinze guardiões. Assim, conseguimos acompanhar o ambiente e prestar apoio sem tirar a autonomia de cada pessoa.
A equipe cuida da circulação, do fogo, dos materiais, das áreas de permanência e dos recursos de apoio. Cada guardião conhece sua função e mantém contato com a direção durante o trabalho.
Capacitação
Treinamento de primeiros socorros
Todos os guardiões participaram de treinamento de primeiros socorros. Essa formação faz parte da preparação da equipe para cuidar do coletivo e organizar as cerimônias.
O treinamento ajuda a reconhecer situações que precisam de uma resposta rápida e do acionamento dos serviços adequados. Ele não substitui atendimento profissional ou de emergência.
Depois
Acolhimento sem diagnóstico
Depois da cerimônia, quem precisar pode procurar a direção para conversar e organizar melhor o que viveu. Situações mais intensas são acolhidas com cuidado, respeito à privacidade e orientação para buscar ajuda profissional quando necessário.
Psicólogos ligados ao templo podem oferecer acolhimento dentro dos limites de sua profissão. O Santuário não transforma a experiência em diagnóstico e não substitui o atendimento de saúde.
Autorregulação
Normas religiosas e responsabilidade institucional
O Santuário segue seu estatuto, o regimento interno, as diretrizes da casa e os princípios do uso religioso da ayahuasca no Brasil, incluindo a Resolução CONAD nº 1/2010.
As medicinas são consagradas somente em contexto religioso e sagrado. Não trabalhamos com uso recreativo, venda de experiências, promessa de cura ou incentivo ao uso por conta própria.
Conteúdo institucional elaborado pelo Santuário Céu de Aparecida e revisado por Michael Luis Miguel Pereira e Bruno Lucas de Paula Luz · Atualizado em 1 de setembro de 2026.
Fontes e limites deste conteúdo
Fontes consultadas
- Resolução CONAD nº 1, de 25 de janeiro de 2010
- Estatuto, regimento, relatório de atividades e diretrizes do Santuário

